Leishmaniose canina: sintomas e tratamento

Por Equipe Adoteca · 17 de julho de 2026 · atualizado em 7 de novembro de 2026

Resumo

Leishmaniose canina é uma doença causada por um parasita e transmitida pela picada do mosquito-palha, nunca por contato com o cão. Muitos cães infectados passam muito tempo sem sinais; quando aparecem, entre os mais comuns estão emagrecimento, feridas que demoram a cicatrizar, queda de pelo e unhas que crescem demais. O tratamento controla a doença, mas não elimina o parasita: o cão tratado ainda pode infectar o mosquito, e a coleira repelente é para a vida toda. Adotar um cão positivo pede esse cuidado e acompanhamento veterinário contínuo.

Neste guia

Ler “leishmaniose” no anúncio de um cão costuma assustar, e muito do medo vem de uma ideia errada: a de que a doença passa pelo contato. Não passa. O compromisso real da adoção é com um tratamento que não cura, e por isso o cão precisa de acompanhamento veterinário e de proteção contra o mosquito pelo resto da vida.

Sintomas da leishmaniose canina

Segundo a vigilância de Santa Catarina, a maioria dos cães infectados fica sem sintomas por longos períodos. Quando a doença se manifesta, os sinais mais frequentes são apatia, emagrecimento, feridas que demoram a cicatrizar, queda de pelo, unhas que crescem demais, problemas nos olhos, diarreia com sangue e fraqueza nas patas de trás.

Por isso a aparência do cão não confirma nem descarta a doença. Um cão que parece saudável pode ser positivo, e só o exame dá a resposta.

Como a leishmaniose canina se transmite

A leishmaniose passa pela picada da fêmea infectada do flebotomíneo, o mosquito-palha, também chamado de asa-dura ou birigui, que pica um cão com o parasita e depois pica uma pessoa, como descreve o Ministério da Saúde. No Brasil, a principal espécie transmissora é a Lutzomyia longipalpis.

Para a vigilância de Santa Catarina, a doença não é contagiosa por contato direto entre cães nem de cães para pessoas. Não há motivo para isolar o cão; o cuidado é manter o mosquito longe dele.

Diagnóstico da leishmaniose canina

Na rede pública, o diagnóstico da leishmaniose canina usa dois exames de sangue em sequência, o teste rápido DPP e o ELISA, conforme a nota técnica do CFMV. As clínicas veterinárias também usam PCR e a pesquisa do parasita em lesões de pele, linfonodo ou medula.

Em áreas onde a doença circula, o exame sorológico é recomendado antes da doação do cão. Ao conversar com o protetor, pergunte se o cão foi testado, qual exame foi feito e se o resultado está por escrito. Se o custo do exame pesa, o guia de veterinário gratuito mostra onde buscar atendimento público.

Como é adotar um cão com leishmaniose

Adotar um cão com leishmaniose é assumir um cuidado sem data para acabar: consultas e exames de reavaliação pela vida toda e uma coleira repelente que nunca sai do pescoço. A convivência, por outro lado, é comum. O cão passeia, brinca, dorme perto da família e divide a casa com crianças e outros animais.

Antes de fechar a adoção, peça ao protetor o resultado dos exames, o histórico do tratamento e o contato do veterinário que acompanha o cão. O guia sobre adotar um pet em tratamento mostra como fazer essa passagem sem interromper o cuidado. Se esse compromisso cabe na sua rotina, procure entre os cães disponíveis para adoção e pergunte ao protetor sobre o diagnóstico de cada um.

Este guia é informativo e não substitui a orientação de um médico-veterinário.

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Perguntas frequentes

Leishmaniose canina passa para humanos?
Não por contato direto. Conviver com um cão positivo não transmite a doença. A leishmaniose passa pela picada da fêmea infectada do mosquito-palha, que pica um cão com o parasita e depois uma pessoa. Por isso a proteção é a coleira repelente no cão e o cuidado com o quintal, e não há motivo para afastar o cão da família.
A leishmaniose do cão passa para os outros cães da casa?
Não pela convivência. Um cão não passa a doença para outro por contato direto. O risco vem do mosquito-palha: se ele picar o cão positivo e depois outro cão, pode levar o parasita junto. A coleira repelente em todos os cães da casa reduz esse risco.
Leishmaniose canina tem cura?
O tratamento controla a doença, mas não elimina o parasita. O cão tratado pode passar muito tempo sem sinais e, ainda assim, continua podendo infectar o mosquito-palha. Os sintomas muitas vezes voltam quando o tratamento é interrompido, e por isso o acompanhamento com o veterinário dura a vida toda.
Cão com leishmaniose precisa ser sacrificado?
Você pode escolher tratar o cão, desde que cumpra o protocolo do produto autorizado e as reavaliações com o veterinário. A Lei 14.228/2021 proíbe que órgãos de zoonoses e canis públicos eliminem cães e gatos, com exceção da eutanásia em casos de doença infectocontagiosa incurável que ponha em risco a saúde humana e a de outros animais. A lei não cita a leishmaniose pelo nome. Para o Ministério da Saúde, em nota técnica, a leishmaniose visceral é um exemplo dessa exceção.
Como funciona o tratamento e quem pode prescrever?
Só um produto é autorizado no Brasil para tratar a leishmaniose visceral canina, o Milteforan, à base de miltefosina. Só o médico-veterinário pode prescrevê-lo, e a receita é emitida no sistema do Ministério da Agricultura. O protocolo inclui reavaliações clínicas e laboratoriais periódicas e, quando o veterinário indicar, um novo ciclo de tratamento.
A coleira repelente é para sempre?
Sim. A coleira com deltametrina a 4% reduz as picadas do mosquito-palha, e o uso é contínuo porque o cão tratado continua com o parasita no corpo. A orientação é usar a coleira sem interromper e trocá-la quando perder a validade. A coleira não dispensa a limpeza do quintal nem as telas de malha fina.