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Vacinas para cães: quais são e quando aplicar

Por Equipe Adoteca · 16 de agosto de 2026

Resumo

Todo cão precisa de duas frentes: a vacina múltipla (V8 ou V10), que cobre cinomose, parvovirose, adenovírus e leptospirose, e a antirrábica. O filhote recebe uma série de doses até pelo menos as 16 semanas, e o adulto mantém os reforços — anuais para alguns componentes, mais espaçados para outros.

Vacina é o cuidado mais barato e mais decisivo da vida de um cão: as doenças que ela previne — cinomose, parvovirose, raiva — são caras de tratar, e várias matam. Este guia explica quais vacinas existem, quando cada uma entra e o que costuma já estar feito num cão que sai para adoção. Cães do catálogo normalmente chegam com a primeira rodada em dia.

Quais vacinas o cão precisa

A base é a vacina múltipla, vendida no Brasil como V8 ou V10. As duas cobrem o mesmo núcleo — cinomose, parvovirose, adenovírus (hepatite infecciosa canina) e parainfluenza —, e a diferença costuma estar no número de sorovares de leptospira incluídos: a V10 traz mais. Como a leptospirose é transmitida pela urina de roedores e circula bastante em cidade brasileira, é comum que o veterinário prefira a V10. As duas também trazem coronavirose, que não é um argumento a favor de nenhuma delas: a WSAVA classifica essa vacina como não recomendada.

A outra frente é a antirrábica, aplicada à parte. Nas tabelas de vacinação para cães da WSAVA (2024, em português), as vacinas classificadas como essenciais são parvovirose, cinomose, adenovírus-2 e raiva — esta última onde a doença é endêmica ou a lei exige, o que é o caso do Brasil. A leptospirose também é tratada como essencial em regiões onde a doença circula. Parainfluenza e Bordetella (tosse dos canis) entram como não essenciais, indicadas conforme o risco de cada cão. Já as vacinas contra coronavírus entérico e giárdia a WSAVA classifica como não recomendadas.

O calendário do filhote

A múltipla não é aplicada antes das 6 semanas de idade e se repete a cada 3 a 4 semanas até as 16 semanas ou mais. Em situação de risco alto — canil cheio, surto de parvovirose na região — a WSAVA orienta vacinar a cada 2 a 3 semanas e estender até as 20 semanas. A antirrábica segue a legislação e a bula; em alguns países a primeira dose só é aplicada a partir das 12 semanas.

Tanta dose é uma questão de pontaria. O filhote nasce com anticorpos que vieram da mãe, e enquanto eles ainda estão altos a vacina é neutralizada antes de fazer efeito — mas eles caem em ritmo diferente em cada filhote, e ninguém sabe o dia exato. Repetir a dose até as 16 semanas é a forma de garantir que pelo menos uma delas pegue a janela certa. Uma dose só, aos 45 dias, não protege um cão.

Reforços no cão adulto

"Vacina de cachorro é anual" é meia verdade. As diretrizes atuais recomendam um reforço da múltipla por volta dos 6 meses de idade — em vez de esperar o cão completar um ano —, justamente para cobrir o filhote que não respondeu à série inicial. Depois disso, os componentes de cinomose, parvovirose e adenovírus são revacinados aos 3 anos e, daí em diante, não mais do que a cada 3 anos. Já o componente de leptospira é anual, e é ele que sustenta a ida ao veterinário todo ano.

A antirrábica tem um estatuto próprio: existem vacinas com duração de imunidade de 1 ou 3 anos, mas quem manda é a regra local. No Brasil, a vacinação de cães e gatos é política pública desde a criação do Programa Nacional de Profilaxia da Raiva, em 1973 — e funcionou: os casos de raiva canina caíram de 1.200 ao ano no fim dos anos 1990 para 13 em 2025. Manter a antirrábica em dia é o que impede esse número de voltar a subir.

O cão que vem da adoção

Protetores vacinam cedo, e por necessidade: em abrigo, a WSAVA recomenda vacinar no momento da admissão, a partir de 1 mês de idade, e repetir a cada 2 a 3 semanas até os 5 meses — um esquema mais agressivo que o do cão de casa, porque a exposição também é. Na prática, o cão que chega até você costuma ter pelo menos a primeira múltipla aplicada, muitas vezes duas, e a antirrábica se já tiver idade.

O que muda tudo é o registro: peça a carteira de vacinação ou uma foto dela, com as datas e as etiquetas dos frascos. Sem esse papel, o veterinário não tem como saber onde o protocolo parou e a série tende a ser refeita. Vale perguntar quais doses foram dadas, em que datas, qual a próxima e se o cão teve alguma reação — é o tipo de pergunta que cabe na mesma conversa das perguntas para o protetor.

Este guia é informativo e não substitui a orientação de um médico-veterinário.

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Perguntas frequentes

Atrasei uma dose do filhote. Preciso recomeçar tudo?
Na maioria dos casos não: aplica-se a dose seguinte e o protocolo continua de onde parou. O que o atraso faz é esticar a janela em que o filhote fica desprotegido, então quanto antes remarcar, melhor. Quem decide se vale repetir alguma dose é o veterinário, olhando a idade do cão e o intervalo que passou.
Adotei um cão adulto sem carteira de vacinação. Ele precisa recomeçar?
Sem registro, trata-se o cão como não vacinado. A boa notícia é que cão acima de 16 semanas não precisa da série longa de filhote: duas doses da múltipla com 2 a 4 semanas de intervalo já são o que os fabricantes costumam recomendar, e a antirrábica segue as regras locais. É bem menos do que parece.
Posso vacinar um cão doente ou recém-adotado?
Cão com febre, diarreia, vômito ou em tratamento agudo espera melhorar antes de receber vacina — o corpo dele está ocupado. Já a mudança de casa por si só não impede: o combinado é passar no veterinário na primeira semana, que avalia se dá para vacinar naquele dia ou se vale esperar alguns dias de adaptação.
Meu cão nunca sai do quintal. Precisa mesmo de vacina?
Precisa. A parvovirose resiste muito tempo no ambiente e entra em casa no sapato, na roupa e nas mãos; a leptospirose chega pela urina de roedores, comum em quintal com água parada. E basta um portão aberto, uma visita canina ou uma ida ao veterinário para o cenário "ele não sai" virar exceção.
O que é reação normal depois da vacina?
Ficar quietinho, comer menos, dormir mais e ter um carocinho dolorido no local da aplicação por um ou dois dias é esperado. O que não é normal: inchaço do focinho, coceira intensa, vômito, dificuldade para respirar ou desmaio — isso é emergência e pede veterinário na hora, não amanhã.
Onde consigo a antirrábica de graça?
As campanhas municipais de vacinação antirrábica são a via gratuita mais comum: procure o centro de zoonoses ou a secretaria de saúde da sua cidade para saber os postos e as datas. Fora da campanha, a dose é aplicada em clínica veterinária como qualquer outra.
Vacina múltipla e antirrábica podem ser dadas no mesmo dia?
Em geral sim, e é comum que sejam. Ainda assim, alguns veterinários preferem espaçar as duas em cães pequenos, filhotes ou com histórico de reação, justamente para saber quem causou o quê se algo acontecer. É uma decisão clínica, tomada caso a caso.